
O que é uma política feminina? Este questionamento norteou a palestra “Aspectos da Mulher na Presidência”, proferida pelo sociólogo Rudá Ricci no dia 28, às 16h, durante o II Encontro de Mulheres Parlamentares de Santa Catarina, realizado na Universidade do Alto Vale do Itajaí (Unidavi), em Rio do Sul. No evento, promovido pela Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira, o estudioso propôs até “romper o ciclo esquizofrênico da história política do país” convidando as detentoras de mandato a pensar em ações mais humanas, voltadas ao bem-estar da família e evitar os comportamentos agressivos e machistas perpetuados pelos homens ao longo da história.
“As mulheres precisam perceber que a política não é uma guerra”, afirmou Ricci. Com uma longa convivência nos bastidores do poder nas últimas décadas, o sociólogo recrimina as parlamentares que conseguem abrir espaço, mas que, ao chegar lá, copiam as atitudes de confronto do meio. Feminista confesso, ele não se mostra tão otimista em relação à existência de uma política mais feminina, que leve em conta as características atribuídas à mulher como emoção, afetividade e tendência à conciliação. “Temos muito que avançar ainda”, analisa.
Doutor em Ciências Sociais, membro da Coordenação Nacional do Fórum Brasileiro do Orçamento, Ricci também exerceu a função de assessor nacional da Cultura e coordenou a elaboração do programa agrário na campanha presidencial de Lula em 1989. Também dedicou-se à implantação de metodologias de monitoramento em políticas públicas de educação para a cidadania e gestão participativa. Atualmente, é diretor do Instituto Cultiva, órgão não governamental comprometido com a implementação de práticas democráticas, participativas e de controle social.
Com base nesta experiência, ele diz que a divisão de trabalho continua desigual na família brasileira, apesar de 35% delas serem chefiadas por mulheres. Para Ricci, a ascensão econômica da classe C e a queda acentuada do índice de natalidade são fatores que contribuem para a maior participação política da mulher. Embora, segundo ele, o país ainda careça de programas voltados para a mão-de-obra feminina, para a segurança e saúde da mulher. “Temos mulheres vereadoras, mas temos poucas vereadoras ocupando cargos de destaque como a presidência da Câmara, por exemplo”, provoca.
Para embasar suas opinições, Ricci apresentou alguns dados da União Interparlamentar da América Latina. Um deles mostra que apenas 9% dos deputados federais são do sexo feminino. Até mesmo a eleição da presidenta Dilma Roussef (PT), em 2010, foi calcada em articulações políticas do ex-presidente Lula (PT) que conseguiu criar para o Brasil a imagem de “mãe do PAC” e de “cuidadora” do Brasil.
Programação
O encontro continua na manhã de sexta-feira (29) com a palestra da deputada Maria do Rosário Nunes (PT/RS) sobre “Lei Maria da Penha – Os Avanços e Desafios”. Em seguida, será organizada mesa redonda sobre a violência contra a mulher com três convidadas: a juíza da comarca de Rio do Sul, Cíntia Beatriz da Silva Bittencourt, a coordenadora do Fórum para Implantação da Lei Maria da Penha, Valéria Cabral Carvalho, e a jornalista Marisa Naspolini. Para encerrar a programação acontecerá palestra com a pedagoga Clarice Leal. (Rossana Espezin)

