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Urupema debate ações para o combate do bullying escolar


30/11/2010 - 16h42min

Urupema debate ações para o combate do bullying escolar

Urupema debate ações para o combate do bullying escolar

Parceira de ações voltadas para o fim do bullying escolar, a Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira participou da audiência pública promovida pela Câmara de Vereadores, na tarde de ontem (29), no município de Urupema. O evento teve como destaque a apresentação do Projeto de Lei nº 17/10, de autoria do vereador Antenor Arruda Neto. Em tramitação no legislativo municipal, a matéria visa instituir o programa de combate ao bullying escolar de ação interdisciplinar, além de contar com a participação comunitária nas escolas públicas e privadas do município.
Na condição de autor do projeto, Arruda ressaltou a importância de elaborar políticas públicas para combater o bullying através do respeito e cidadania. “Temos condições de implementar a legislação para que as crianças e os jovens possam viver em harmonia tendo seus direitos respeitados e cumprindo seus deveres”, frisou. Segundo a diretora da Escola de Educação Básica Manoel Pereira de Medeiros, Taiz Andrade, é fundamental que medidas sejam tomadas e que as autoridades tomem a iniciativa, mas sem a participação dos pais em reuniões como esta fica inviável combater as agressões físicas e psicológicas cometidas pelo bullying. “A educação não está apenas nas escolas, os familiares precisam comparecer e participar efetivamente deste combate,” lembrou.
O vice-prefeito de Urupema, Luiz Carlos Pagani de Arruda, mencionou que o município está empenhado em educar para acabar com o bullying escolar. “Estamos atentos às mudanças e ações que precisam ser realizadas para evitar que as crianças sofram com esse tipo de agressão. Se a Câmara aprovar o PL, o Executivo vai sancionar o quanto antes esta lei,” frisou.
Após a apresentação da matéria, pais, educadores, gestores escolares e autoridades assistiram a uma palestra sobre as principais causas e medidas de prevenção contra o Bullying Escolar.

Palestra:
Promovida pela Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira, a palestra ministrada pela autora do livro “Bullying Escolar” e pedagoga pioneira no estudo do tema no país, Cleo Fante, teve como propósito esclarecer dúvidas e questionamentos sobre o assunto. Segundo ela, o bullying pode acontecer em qualquer contexto social, como escolas, universidades, famílias, entre vizinhos e em locais de trabalho. Mas é no contexto escolar que mais é identificado. De acordo com a educadora, esse tipo de violência cada vez mais faz parte do cenário escolar e vem exigindo muita atenção dos educadores para que se evitem consequências desastrosas, uma vez que sua manifestação pode ser física ou psicológica. A pessoa ou o grupo que impõe o bullying ridiculariza, humilha e intimida suas vítimas. “Existem relatos de bullying em escolas das redes pública e privada, rurais e urbanas, e até mesmo com crianças de três e quatro anos, ainda no ensino infantil”, comenta.
Cléo Fante destacou entre os prejuízos mais comuns às vítimas desse tipo de agressão a dificuldade no aprendizado, no desenvolvimento do processo de socialização e alteração na saúde mental. Os sintomas mais usuais são depressão, baixa autoestima, ansiedade e, por fim, abandono dos estudos. O bullying é uma prática de exclusão social, segundo explicou a palestrante, cujos principais alvos costumam ser pessoas mais retraídas, inseguras. Essas características acabam fazendo com que elas não peçam ajuda e, em geral, se sintam desamparadas e encontrem dificuldades de aceitação. Além dos traços psicológicos, as vítimas desse tipo de agressão apresentam particularidades, como problemas com obesidade, estatura, deficiência física. As agressões podem ainda abordar aspectos culturais, étnicos e religiosos, exemplifica.
Ao finalizar sua palestra, Cleo ressaltou pontos estratégicos para enfrentar o bullying. São necessários conhecimento, capacitação profissional e discussão do tema junto à comunidade escolar numa busca de soluções conjuntas. A maneira de intervir, defende a pesquisadora, é através da identificação de casos e suas causas, além de encaminhamentos pedagógico e familiar a profissionais da psicologia ou pediatria, e da assistência social. (Tatiani Magalhães)

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