
Reunidos na manhã desta sexta-feira (02), no auditório da Univali de Tijucas, em audiência pública da Comissão de Saúde, presidida pelo deputado Volnei Morastoni (PT), os prefeitos de São João Batista, Nova Trento, Major Gercino e Tijucas, junto com vereadores, secretários municipais de saúde dos municípios do Vale do Rio Tijucas, decidiram combater a “ambulânciaterapia”, vocacionando os hospitais da região para procedimentos de alta complexidade.
Para o diretor executivo da Ahesc-Fehoesc, Braz Vieira, “o fortalecimento dos hospitais do interior é o remédio para a “ambulânciaterapia””. Segundo Vieira, além de investimentos na atenção básica (UPAs e PSFs), é preciso com urgência vocacionar os hospitais, envolver os empresários na administração hospitalar e adotar a gestão profissional, através das organizações sociais.
O hospital São José, de Tijucas, de acordo com o planejamento pré-estabelecido pelos municípios do Vale, terá a traumatologia como referência, dada a proximidade com a BR-101 e a SC-411. Para isso terão de implantar um centro de diagnóstico e cirúrgico que comporte a demanda, uma UTI, além dos equipamentos e pessoal necessários.
O hospital Monsenhor José Locks, de São João Batista, será vocacionado para a alta complexidade em obstetrícia e o hospital Imaculada Conceição, de Nova Trento, para a psiquiatria. Segundo o vereador Adauto Gomes, de São João Batista, os prefeitos e os vereadores “não suportam mais essa realidade de transferir pessoas para Florianópolis”. O prefeito de Major Gercino, Zelasio Angelo Dellagnolo, disse que o município não tem hospital e que é preciso “colocar o doente no carro e levar para Tijucas ou Florianópolis”.
Dellagnolo informou que há pessoas com consulta marcada na capital para daqui seis meses e que o gasto com saúde do município não baixa dos 20% do orçamento, oito pontos percentuais a mais do que determina a lei. “O povo não quer saber, quer atendimento, o povo cobra”. Para o prefeito de São João Batista, Aderbal Manoel, “fazer saúde em município pequeno não é fácil, todo mundo conhece o prefeito e os vereadores e a qualquer momento alguém pode bater na porta pedindo algo para a saúde: exame, cirurgia, internação”.
Carlinhos da Silva, de São João Batista, confirma, “o paciente vai bater na porta do prefeito, do vereador”. Orivan Jarbas Orsi, prefeito de Nova Trento, argumentou que a educação tem um orçamento próprio e forte, e que a saúde não. Orsi advogou maior conscientização das pessoas sobre o funcionamento do SUS e sustentou que o “problema não é só a falta de dinheiro, mas de gerir melhor o sistema”.
O prefeito Elmis Mannrich, de Tijucas, agradeceu a iniciativa da Assembleia Legislativa, “de fazer essa audiência pública aqui no Vale do Rio Tijucas”. Elmis fez uma enfática defesa da Emenda 29, que tramita no Congresso Nacional. De acordo com o prefeito, os municípios gastam bem mais que o determinado em lei e que a União hesita em fazê-lo. “A conta no fim do mês não fecha”, garantiu.
O deputado Morastoni lembrou que a regulamentação da Emenda 29 vai definir o que é e o que não é gasto com saúde, podendo significar mais R$ 50 bilhões para o SUS. “O problema principal é o financiamento e está na ordem do dia do Congresso Nacional”, explicou. O deputado Dado Cherem (PSDB) afirmou que o SUS remunera muito mal os procedimentos e que por causa disso “a conta está ficando pesada para os municípios”.
A Irmã Ilda “Enedina” Sachetti, da Sociedade Divina Providência, afirmou que “há 34 anos acompanha Tijucas e que sempre o município está esperando recursos”. Ela fez um apelo pela união de forças, “cada um fazendo a sua parte, nós vamos conseguir”.
Participaram da audiência representantes do Ministério Público Federal, do Ministério Público Estadual, da Ahesc-Fehoesc, da Sociedade Divina Providência, vereadores, secretários, técnicos de saúde e a direção do Hospital São José, de Tijucas. (Vitor Santos)

