Comunicação

Voluntariado que transforma: 30 anos dedicados à escuta no CVV


Adriana Rizzo dedica três horas por semana ao atendimento voluntário e, há três décadas, acolhe pessoas que procuram apoio emocional.

Valquíria Guimarães
08/09/2026 - 14h00min

Voluntariado que transforma: 30 anos dedicados à escuta no CVV

Foto: Magnific / Edição

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Para Adriana Rizzo, doar três horas por semana para ouvir quem precisa de ajuda é uma forma de retribuir à sociedade tudo o que recebeu ao longo da vida,

Aos 56 anos, a engenheira agrônoma Adriana Rizzo dedica parte da sua rotina a uma atividade que considera uma forma de contribuição para a sociedade: o voluntariado no Centro de Valorização da Vida (CVV).

Há 30 anos, ela atua como plantonista voluntária, oferecendo atenção, acolhimento e escuta a pessoas que procuram o serviço em momentos de sofrimento emocional.

A rotina de Adriana consiste em disponibilizar, uma vez por semana, três horas para conversar com quem procura o CVV. O atendimento pode ser feito por telefone, e-mail ou chat. Pelo número 188, gratuito e disponível em todo o Brasil, qualquer pessoa pode entrar em contato com um voluntário.

“Como voluntário do CVV, a gente se dispõe a doar atenção. São três horas por semana para conversar com as pessoas que estão precisando”, explica Adriana.

O trabalho é realizado por uma rede de voluntários que se reveza para garantir que o serviço permaneça disponível 24 horas por dia, durante toda a semana. Segundo Adriana, no Brasil são hoje 2.400 pessoas envolvidas nessa missão de acolhimento e escuta. “Uma rede de apoio e de empatia”, define.

Uma escolha movida pela vontade de ajudar

Natural de Araraquara, interior de São Paulo, Adriana conta que sempre teve o desejo de realizar um trabalho voluntário. Quando soube que haveria um curso de formação do CVV na cidade onde morava, decidiu participar. O treinamento, gratuito e com duração de aproximadamente três meses, abriu caminho para uma trajetória que já dura três décadas.

“Eu queria fazer um trabalho voluntário e me identifiquei com esse. Fiquei sabendo que teria um curso na cidade onde moro, fiz o treinamento e gostei. E aqui estou”, conta.

Para ela, a motivação para continuar voluntária está diretamente relacionada à possibilidade de ajudar outras pessoas e retribuir as oportunidades e o apoio que recebeu ao longo da vida.

“O que me motivou foi poder ajudar, fazer algo pela sociedade. Tive grandes apoios na minha vida e quis retribuir de alguma forma.”

A solidão entre muitas pessoas

Ao longo de 30 anos de atendimento, Adriana ouviu inúmeras histórias. Cada contato, segundo ela, é único e não existe um padrão para as situações apresentadas por quem procura o CVV. As pessoas podem falar sobre diferentes aspectos da vida, sempre dentro de um espaço de acolhimento e escuta.

Entre tantas experiências, algumas situações permanecem especialmente marcadas na memória da voluntária. São aquelas em que a pessoa está cercada por familiares, amigos ou colegas, mas, ainda assim, sente-se profundamente sozinha.

Adriana Rizzo
Cada um tem a sua história, mas todos são importantes. As histórias fazem a gente refletir. As que mais me marcam são aquelas de pessoas que estão cercadas de outras pessoas, mas se sentem sozinhas.
Adriana Rizzo Voluntariada no Centro de Valorização da Vida (CVV)

Foto: Arquivo Pessoal

A experiência reforçou em Adriana a compreensão de que a solidão nem sempre está relacionada à ausência física de companhia. Muitas vezes, o que falta é alguém disposto a ouvir sem julgamentos.

“O CVV oferece apoio emocional e prevenção ao suicídio, atendendo gratuitamente as pessoas que precisam conversar. O atendimento é sigiloso e pode ser feito por telefone, no número 188, ou por e-mail e chat, que funcionam 24 horas”, reforçou.

Voluntariado como compromisso com o outro

Para Adriana, ser voluntária significa muito mais do que ocupar algumas horas da semana. É assumir um compromisso com o outro e oferecer algo que, em muitos momentos, pode ser fundamental: atenção.

Ela destaca que o trabalho também enfrenta desafios. O CVV não dispõe de recursos próprios suficientes para todas as necessidades e depende do apoio da sociedade para manter suas atividades. Além disso, ampliar o número de voluntários é essencial para fortalecer a rede de atendimento.

Para quem deseja seguir esse caminho, Adriana reforça que é necessário ter mais de 18 anos e participar do processo de formação oferecido pela instituição. Antes de ir para o atendimento das linhas telefônicas, os voluntários passam por uma preparação que dura oito semanas e aborda o jeito que o CVV trabalha, o perfil das pessoas que ligam, o encontro entre elas e quem está do outro lado da linha e até abordagens práticas.

“Fazemos treinamentos práticos, simulações de situações que atendemos com maior frequência”, contou Adriana. Para ela, os treinamentos ajudam muito o voluntário nos primeiros atendimentos.

Ela informa ainda que, durante as ligações, a identidade da pessoa que busca ajuda do CVV é mantida em sigilo. Nome, telefone, endereço, nada disso é perguntado. “Quando começam a contar a história, nós procuramos interferir o mínimo possível, não aconselhamos ou criticamos”, afirmou Adriana.

A proposta do centro é diferente dos diálogos cotidianos. “Muitas vezes, no dia a dia, criticamos as decisões das pessoas e acabamos não compreendendo o que está acontecendo com ela, que tem um motivo para ter feito algumas escolhas na vida. Nós do CVV procuramos entender esse lado, se colocar no lugar dela”, completou.

Uma mensagem para quem precisa

Depois de três décadas ouvindo histórias de pessoas em diferentes momentos de suas vidas, Adriana deixa uma mensagem simples: ninguém precisa enfrentar sozinho um período de sofrimento.

“Se você não estiver bem, busque ajuda. Converse com alguém em quem confia, com amigos ou familiares. Não fique sozinho.”

O CVV oferece atendimento gratuito pelo telefone 188, além de canais digitais. O serviço representa, para Adriana, a continuidade de uma escolha feita há 30 anos: estar disponível para ouvir.

Mais do que doar tempo, o voluntariado, na sua visão, é uma maneira concreta de participar da sociedade, criar vínculos e fazer diferença na vida de alguém.

“Cada história é importante. E estar ali para ouvir já pode fazer uma diferença.”

Setembro Amarelo

A Força da Escuta no CVV

Acolhimento humanizado e voluntário que transforma vidas por meio do diálogo seguro e sem julgamentos.

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Anos contínuos de dedicação ao atendimento voluntário

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Voluntários mobilizados em rede em todo o Brasil

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Por semana dedicadas à escuta de quem precisa

Design: Milene Conci / Agência Alesc


ALESC EXPLICA

Como funciona o trabalho voluntário de Adriana no CVV?

Adriana dedica três horas por semana ao atendimento de pessoas que procuram o Centro de Valorização da Vida. Ela atua como voluntária há 30 anos.

Como entrar em contato com o CVV?

A reportagem informa que o serviço pode ser acessado pelo telefone 188, gratuitamente, além dos canais digitais disponibilizados pela instituição.

O que é necessário para ser voluntário?

Segundo Adriana, é preciso ter mais de 18 anos e participar do processo de formação oferecido pelo CVV antes de iniciar os atendimentos.

Como o voluntário conduz a conversa?

De acordo com Adriana, o atendimento busca oferecer escuta e acolhimento, com mínima interferência. Ela explica que os voluntários não aconselham ou criticam quem procura o serviço e que a identidade de quem liga é mantida em sigilo.

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