Papel da imprensa e responsabilidade social
A palestra com o jornalista Caco Barcellos encerrou o seminário "Comunicação que Protege", realizado pelo Comitê Integra, na tarde desta quinta-feira (23), na Assembleia Legislativa, para tratar do papel da imprensa na prevenção da violência escolar. Ele apresentou suas considerações sobre como a violência é abordada pela imprensa e pela sociedade, e compartilhou experiências na cobertura policial.
Barcellos alertou para a importância do jornalista e do jornalismo refletirem sobre as informações que são repassadas ao público em casos de violência, de tal forma que isso não prejudique ainda mais vítimas e testemunhas ou venha estimular novas ocorrências. Ele lembrou da importância do bom senso na definição sobre o que deve ser noticiado. "Já é consenso que não se deve divulgar o nome do criminoso e ter cuidado com a exposição da imagem dele", lembrou.
Reflexão sobre o impacto da notícia
Ao comentar sobre o número de homicídios registrados em Santa Catarina no ano passado – 449 casos -, Barcellos destacou que apenas 6% deles foram praticados por bandidos. "Geralmente se divulga o que chama a atenção do público, o que dá audiência. Temos que refletir sobre isso, se isso não é um desserviço", completou.
O palestrante questionou como num país tão religioso como o Brasil mata-se tanto. "Estamos entre as pessoas mais religiosas do mundo e a religião geralmente condena a morte, mas somos um dos países que mais registram assassinatos todos os anos."
Preconceito e cobertura policial
O jornalista também tratou sobre como o preconceito de classe contamina a forma como ocorrências policiais são noticiadas. "É raro ouvir que um banqueiro que desviou dinheiro tinha passagens pela polícia. Mas se é um moleque que roubou 100 reais, geralmente a informação que ele tinha passagens pela polícia tem destaque."
Crítica à cultura armamentista
Barcellos criticou a ideia de armar a população como solução para o problema da violência. "Isso trata-se apenas dos interesses da indústria de armas, não é preocupação com a segurança da população", disse. "No Brasil, se combate violência da forma mais cara, com conflito, com morte, com tiroteio. Não se usa inteligência, não se usa a ciência."
Chamado à reflexão coletiva
Ao final, Barcellos destacou a importância da reflexão coletiva sobre as causas da violência. "É algo que deve envolver todo mundo. Se a gente ficar passivamente só se surpreendendo a cada barbaridade, isso não nos leva a lugar algum. A gente precisa de postura ativa. Temos a tendência de cobrar das autoridades, mas o que estamos fazendo, até para que a gente possa cobrar das autoridades", afirmou.
Perguntas Frequentes
Qual foi o foco da palestra de Caco Barcellos?
Discutir o papel da imprensa na forma como a violência é retratada no Brasil e os impactos dessa abordagem sobre vítimas, testemunhas e a própria sociedade.
Que cuidados ele defende na cobertura de casos de violência?
Evitar sensacionalismo, usar bom senso sobre o que noticiar e não expor identidade e imagem de autores para não estimular novas ocorrências nem agravar danos.
Que dado ele citou sobre homicídios em Santa Catarina?
Destacou que, dos 449 homicídios registrados no estado no último ano, apenas 6% foram praticados por “bandidos”, provocando reflexão sobre critérios editoriais que priorizam o que mais “chama atenção”.
O que ele observou sobre preconceito de classe na cobertura policial?
Que ocorrências envolvendo pessoas pobres recebem rótulos e antecedentes com destaque, enquanto crimes de colarinho branco raramente são tratados da mesma forma.
Qual a posição sobre armar a população como resposta à violência?
Barcellos critica a política armamentista, apontando que atende a interesses da indústria de armas e não reduz a violência; defende inteligência e ciência nas soluções.
Como a sociedade pode agir a partir dessas reflexões?
Adotando postura ativa e coletiva, cobrando autoridades com base em ações concretas e fortalecendo uma comunicação responsável que promova cultura de paz.
Onde acompanhar conteúdos e desdobramentos na Alesc?
Pela Agência AL e pela TVAL, além do portal institucional da Assembleia.