Comunicação

Ciclo sobre fibromialgia reforça avanços no tratamento e nos direitos dos pacientes


O encontro reuniu profissionais da saúde, pacientes, lideranças regionais e representantes do poder público para debater diagnóstico, tratamento e políticas públicas voltadas às pessoas que convivem com a síndrome

Simone Sartori
20/03/2026 - 16h13min

Ciclo sobre fibromialgia reforça avanços no tratamento e nos direitos dos pacientes

Foto: Jeferson Baldo/Agência Alesc

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Início do ciclo de eventos em Santa Catarina

O ciclo de eventos sobre fibromialgia promovido pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) teve início nesta sexta-feira (20), em Maravilha, reunindo profissionais da saúde, pacientes, lideranças regionais e representantes do poder público para debater diagnóstico, tratamento e políticas públicas voltadas às pessoas que convivem com a síndrome.

O evento foi realizado pela Comissão da Saúde e Escola do Legislativo deputado Lício Mauro da Silveira.

Objetivo da iniciativa

O deputado Maurício Peixer (PL), propositor da iniciativa, destacou que a proposta do ciclo é levar informação diretamente às comunidades em todas as regiões do estado.


“Em 2026 estamos colocando em prática aquilo que planejamos: chegar às pessoas em todos os cantos de Santa Catarina para que elas tenham conhecimento, entendimento e possam acompanhar os avanços nos tratamentos e também nos direitos que conquistaram.”
Maurício Peixer
Deputado
Maurício Peixer

Segundo o parlamentar, a mobilização tem como objetivo ampliar a visibilidade da fibromialgia e combater a discriminação enfrentada pelos pacientes.

“Temos quase 150 mil pessoas com fibromialgia em Santa Catarina que precisam conhecer seus direitos e saber o que está sendo feito por elas. É uma doença invisível, e muitas vezes a dor é desacreditada, inclusive dentro da própria família.”

Peixer também destacou a legislação que reconhece pessoas com fibromialgia como pessoas com deficiência (Lei nº 18.928/2024) para fins legais e a criação de instrumentos de identificação, como a carteirinha e o uso do cordão de girassol.

“A pior coisa é a discriminação por falta de conhecimento. Muitas vezes a pessoa parece saudável, mas enfrenta uma dor intensa. A identificação ajuda a garantir direitos como prioridade em filas e estacionamento. Com a divulgação e a legislação, a sociedade começa a compreender melhor o que é a fibromialgia.”

Abordagens terapêuticas e avanços científicos

Durante o encontro, a professora e pesquisadora Flávia Rigo apresentou dados técnicos sobre a fisiopatologia da síndrome e as perspectivas terapêuticas, com destaque para o uso da cannabis medicinal no tratamento da dor crônica.

“A fibromialgia envolve diversos sintomas, como dor generalizada, ansiedade e insônia. A cannabis tem se mostrado uma ferramenta farmacológica importante, com evidências científicas indicando benefícios no controle da dor e de sintomas associados.”

Ela também destacou a atualização das normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que ampliou a possibilidade de prescrição para diferentes patologias.

“Ainda enfrentamos desafios, principalmente a falta de informação entre profissionais e pacientes, mas o avanço regulatório e o aumento das pesquisas tendem a trazer mais segurança e acesso ao tratamento.”

Tratamento multidisciplinar

A fisioterapeuta Kálita Silveira Nunes reforçou a necessidade de uma abordagem integral e multidisciplinar no cuidado às pessoas com fibromialgia.

“No Brasil ainda temos uma cultura muito centrada na medicação, mas os tratamentos precisam considerar o paciente de forma biopsicossocial. O exercício físico, a psicoterapia, a orientação farmacêutica, a nutrição e até a avaliação odontológica têm papel importante na melhora da qualidade de vida.”

Segundo ela, não existe uma fórmula única para o tratamento.

“A melhor estratégia é aquela que funciona para cada paciente, e isso depende da continuidade do cuidado e da integração entre os profissionais de saúde e a pessoa atendida.”

Importância das redes de apoio

A presidente da Associação dos Fibromiálgicos de Maravilha (Afibromar), Caciara Regina de Souza, relatou a importância do fortalecimento das redes de apoio e da disseminação de informação.

“A fibromialgia é uma doença invisível que muitas vezes nos isola. Esses eventos ajudam a ampliar o conhecimento, promover empatia e garantir direitos, permitindo que possamos viver com mais qualidade.”

A programação também destacou a relevância de abordagens multidisciplinares no manejo da síndrome, considerada uma condição crônica associada a alterações no processamento da dor pelo sistema nervoso central e com impactos significativos na qualidade de vida.

Continuidade do ciclo de eventos

O ciclo promovido pela Alesc segue ao longo do ano com novos encontros regionais e estadual, ampliando o debate e o acesso à informação em diferentes municípios catarinenses.

Próximas datas

• 30 de março – Seminário Regional em Ituporanga

• 27 de abril – Seminário Regional em Jaraguá do Sul

• 11 de maio – Seminário Estadual em Joinville

• 15 de junho – Seminário Regional em São Bento do Sul


Alesc explica

Qual é o objetivo do ciclo sobre fibromialgia?

Levar informação às comunidades e ampliar o debate sobre diagnóstico, tratamento e direitos dos pacientes.

Quais direitos foram destacados?

Reconhecimento como pessoa com deficiência e instrumentos de identificação para garantir prioridade em serviços.

O que foi discutido sobre tratamento?

Abordagem multidisciplinar e uso de alternativas como cannabis medicinal no controle da dor.

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