Evento em Tubarão encerra ciclo de audiências sobre a violência contra a mulher


08/07/2019 - 20h33min

Encontro no sul do estado reuniu cerca de cem pessoas no salão nobre da Unisul.

Encontro no sul do estado reuniu cerca de cem pessoas no salão nobre da Unisul.

FOTO: Solon Soares/Agência AL

O município de Tubarão sediou, na tarde desta segunda-feira (8), no auditório da Unisul, a última etapa do ciclo de seis audiências públicas programadas pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia para traçar um panorama da violência contra a mulher no estado.

Os eventos, realizados também em Florianópolis, Joinville, Blumenau e Chapecó, reuniram um público aproximado de 500 pessoas, formado principalmente por lideranças políticas locais e representantes de órgãos públicos e entidades, como Tribunal de Justiça, Ministério Público de Santa Catarina, Defensoria Pública do Estado, Polícia Militar, Polícia Civil e Ordem dos Advogados do Brasil.

"Em todas essas audiências tivemos depoimentos valiosos e conhecemos ações exitosas que podem ser compartilhadas por todos os municípios catarinenses. Creio que agora teremos um diagnóstico mais preciso da violência doméstica no estado e sobre o que precisa ser feito para diminuir este problema", disse na ocasião a deputada Marlene Fengler (PSD), proponente das audiências.

Já a deputada Ada de Luca (MDB), que preside a Comissão de Direitos Humanos e coordena a Bancada Feminina da Assembleia, destacou o caráter regionalizado dos eventos. "Em Santa Catarina estão presentes várias colonizações  diferentes e isso tem peso na cultura, na educação que é dada e nos valores que estão impregnados nas famílias. Então, é muito importante que estes debates tenham sido feitos de forma regionalizada para que pudéssemos formar um quadro mais preciso da violência contra a mulher no nosso estado."

Conforme o planejamento realizado pela comissão, no mês de agosto será promovido um seminário na Assembleia Legislativa para debater as iniciativas implementadas pelos municípios e também constituído um grupo de trabalho com representantes de diversos setores públicos, com o objetivo de trabalhar a melhoria da rede de atendimento às vítimas de agressão doméstica.

Rede Catarina
Segundo a PM, desde janeiro já foram registrados 650 casos de violência doméstica nos 18 municípios que compõe a região da Amurel, contra 482 em todo o ano de 2018.

A capitã Cinthia Mendes Leandro, que coordena os programas preventivos do 5º Batalhão da Polícia Militar, de Tubarão, afirma que o aumento dos registros acontece em função de uma série de motivos, entre os quais as alterações na legislação protetiva às mulheres, a intensificação do trabalho dos órgãos públicos e até as campanhas na mídia incentivando a população a denunciar os casos de violência doméstica.

Em face ao quadro, ainda no mês de março a corporação implantou no município a Rede Catarina, que por meio da integração dos serviços prestados por diversos órgãos públicos busca oferecer um suporte básico às vítimas e dar condições de segurança que as incentive a denunciar seus agressores.

Os casos são encaminhados ao Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) para o atendimento psicossocial das vítimas.  “Nesses poucos meses de Rede Catarina nós já acompanhamos mais de 66 casos e fizemos mais de 180 visitas preventivas nas residências dessas mulheres”, declarou a capitã.

A delegada Patricia Zimmermann D'Ávila, que coordena as Delegacias de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMIS) de Santa Catarina, também destacou a importância das redes de atendimento. “A questão da violência doméstica não passa somente pela área penal. É preciso um grupo que fortaleça e ampare a mulher vítima de violência, pois envolve questões que estão relacionadas a sua família, à oferta de alimentos, manutenção da casa, saúde, etc. Então a rede e a equipe multidisciplinar entrando juntas neste enfrentamento é o que precisa para melhorar essa situação.”

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