
O deputado Fabiano da Luz (PT) defendeu, na tribuna da Assembleia Legislativa, medidas emergenciais para estancar a crise no setor leiteiro. Segundo o parlamentar, os produtores estão “trabalhando no vermelho” e muitos já cogitam abandonar a atividade, principalmente no Oeste do Estado.
“A situação do agricultor é apavorante. Tem produtor pagando para trabalhar e tirando das economias da família para honrar as contas do mês, porque o leite já não se paga”, disse.
Com base em dados apresentados pelo economista da Bancada do PT na Alesc, Juliano Goularti, o deputado destacou que a produção catarinense aumentou 18,2% entre 2021 e 2025 — um salto de 3,095 bilhões de litros para mais de 3,3 bilhões, o que representa cerca de 200 milhões de litros a mais no mercado.
Apesar disso, o aumento da oferta não veio acompanhado de valorização do produto.
“Há quem atribua a crise à importação. Mas em Santa Catarina, a importação representa apenas 3% do leite (no Brasil 8%). Mesmo assim, a indústria já prevê nova queda no preço nos próximos 30 dias”, afirmou.
Fabiano relatou que, hoje, o produtor está recebendo entre R$ 1,85 e R$ 2,30 por litro, enquanto o consumidor paga de R$ 4,00 a R$ 4,60.
“O chamado ‘ouro branco’ virou um ‘desespero branco’. Não é possível aceitar que o produtor receba R$ 1,85 enquanto o mesmo leite chega ao consumidor por mais de R$ 4,50. Temos que fiscalizar essa cadeia e entender onde está ficando essa diferença”, cobrou o deputado.
Incentivos
O deputado Fabiano lembrou que a Alesc aprovou incentivos e a isenção de ICMS do leite, com a finalidade de aumentar o preço recebido pelo produtor, e reduzir o preço ao consumidor para elevar o consumo.
“Mas nada disso aconteceu na prática. A indústria alega que está com estoque e que o consumo não cresceu e o preço ao consumidor não baixou”, afirmou.
Como saída, o deputado sugere ao governo federal incluir o leite no estoque regulador, como acontece com os grãos, mecanismo que vigorou nos governos Lula e Dilma.
“O governo comprava quando havia excesso, garantindo preço justo ao produtor, e colocava o produto no mercado quando havia escassez, equilibrando o setor. É hora de colocar o leite nos programas sociais.”
Ele também defendeu que o governo do Estado amplie compras de leite para merenda escolar e outras ações sociais.
A preocupação central do deputado é com o desaparecimento de milhares de pequenas propriedades.
“Tem muito produtor saindo do mercado, desesperado, trabalhando e não está pagando a conta do mês, o custo da logística. Se o produtor sair do leite, ele não volta mais. Ou o poder público age agora, ou vamos perder essa produção e sentir o impacto lá na frente”, concluiu Fabiano.
Juliana Wilke
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