
Uma doença rara, que provoca a formação de bolhas na pele por conta de mínimos atritos ou traumas e pode se manifestar já no nascimento. Assim é a epidermólise bolhosa (EB), que, em Santa Catarina, segundo dados de 2026 da Secretaria de Estado da Saúde (SES), soma 97 casos confirmados.
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Confira esta matéria produzida pela TV Alesc.
Lei aprovada pela Alesc facilita acesso ao tratamento da epidermólise bolhosa – 08/09/26
Conhecida popularmente como “doença da borboleta” Por que “doença da borboleta”? A expressão faz referência à extrema fragilidade da pele das pessoas com epidermólise bolhosa, comparada à delicadeza das asas de uma borboleta. , a EB reúne diferentes condições causadas, principalmente, por alterações genéticas que comprometem proteínas responsáveis pela resistência e pela união das camadas da pele.
Dependendo do tipo e da gravidade, também pode comprometer mucosas e outros órgãos.
Nova lei amplia a assistência
No estado, os pacientes com epidermólise bolhosa contam, desde 2024, com o Programa Santa Catarina Cuidando das Borboletas, desenvolvido pela SES, que oferece atendimento especializado e a distribuição de insumos que não são contemplados pela Tabela do Sistema Único de Saúde (SUS).
A assistência a esse público foi ampliada em 2026 com a instituição do Programa Estadual de Assistência Especializada em Epidermólise Bolhosa, previsto na Lei 19.937/2026.
A iniciativa busca organizar a assistência e ampliar as garantias de acesso ao diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos pacientes.
A legislação estabelece a oferta de:
- consultas
- exames
- diagnóstico
- curativos
- coberturas
- medicamentos
- suplementos
além do acompanhamento por equipe multidisciplinar.
O atendimento deve envolver, conforme a necessidade de cada paciente, profissionais de áreas como:
- dermatologia
- genética
- pediatria
- enfermagem
- nutrição
- fisioterapia
- psicologia
- odontologia
- ortopedia
A lei também prevê a possibilidade de atendimento domiciliar quando indispensável e determina que os serviços sejam prestados, preferencialmente, no município ou na macrorregião de residência do paciente.
Outro ponto da legislação é a notificação compulsória de casos suspeitos ou confirmados em recém-nascidos.
Maternidades, unidades de saúde e clínicas que realizam partos deverão comunicar as suspeitas ou confirmações da doença à Secretaria de Estado da Saúde.
A norma também prevê o mapeamento genético de familiares consanguíneos quando houver possibilidade de ocorrência da doença em uma gestação.
O que a lei prevê
Assistência especializada
- Consultas, exames e diagnóstico
- Curativos, coberturas, medicamentos e suplementos
- Acompanhamento por equipe multidisciplinar
Atendimento
- Possibilidade de atendimento domiciliar quando indispensável
- Serviços prestados, preferencialmente, no município ou na macrorregião de residência do paciente
Identificação
- Notificação compulsória de casos suspeitos ou confirmados em recém-nascidos
- Mapeamento genético de familiares consanguíneos quando houver possibilidade de ocorrência da doença em uma gestação
A rotina de quem vive com epidermólise bolhosa
Entre os beneficiados está Lucas, de 7 anos, cujo diagnóstico para a doença veio logo após o nascimento. A forma de epidermólise bolhosa que atinge o menino é a distrófica recessiva, considerada uma das mais graves da doença, por provocar lesões recorrentes e complicações em diferentes órgãos.
O tratamento envolve, principalmente, a prevenção e o cuidado das feridas, o controle da dor e a prevenção de infecções, exigindo troca frequente de curativos específicos, uso de produtos higienizadores e de medicamentos de acesso restrito.
Também demanda o acompanhamento permanente de diferentes profissionais da saúde.
Para a mãe de Lucas, Cláudia Marian Pauli, a inclusão na legislação estadual de um programa de assistência aos pacientes com epidermólise bolhosa representa a esperança de melhoria nos cuidados ofertados a esse público.
Poder contar com esse olhar multidisciplinar, de toda uma equipe médica, faz toda a diferença, porque o tratamento da doença não se resume só ao curativo. Há uma série de outras necessidades que precisam ser atendidas e eu desejo realmente que essa lei saia do papel para que se possa fazer valer os direitos dessas pessoas, para que eles sejam vistos, sejam realmente acolhidos. É tudo o que nós, como mães de crianças com epidermólise bolhosa, mais desejamos.
Cláudia Marian Pauli e Lucas. Foto: Rodrigo Corrêa / Agência Alesc
Atendimento contínuo
No estado, a assistência especializada aos pacientes com epidermólise bolhosa é ofertada nos municípios de Florianópolis, Blumenau, Joaçaba e São Pedro de Alcântara.
A médica Barbara Lovato, que coordena o Ambulatório de Doença Bolhosa do Hospital Santa Teresa de Dermatologia, em São Pedro de Alcântara, destaca que, embora o SUS disponha de uma ampla rede de atendimento, sua estrutura está organizada principalmente para atender doenças de maior prevalência na população.
O que pode dificultar a assistência a condições raras, como a epidermólise bolhosa, que, apesar da baixa incidência, causam grande sofrimento aos pacientes e suas famílias.
Ela também afirma que, até pouco tempo, o acesso aos medicamentos e produtos necessários para o tratamento dos pacientes com EB só era fornecido pelo Estado mediante ações judiciais.
Nesse sentido, a médica aponta a importância da criação de uma política estadual que organize a assistência de acordo com as necessidades de cada região, identificando os pacientes e definindo uma rede capaz de atendê-los.
ALESC EXPLICA
É um conjunto de condições raras que provocam fragilidade da pele e formação de bolhas após pequenos atritos ou traumas. Dependendo do tipo e da gravidade, também pode atingir mucosas e outros órgãos.
A Lei 19.937/2026 institui um programa de assistência especializada que prevê consultas, exames, diagnóstico, curativos, medicamentos, suplementos e acompanhamento por diferentes profissionais da saúde.
A legislação determina que os serviços sejam prestados preferencialmente no município ou na macrorregião de residência do paciente e também admite atendimento domiciliar quando indispensável.
A reportagem mostra que a epidermólise bolhosa pode provocar necessidades que vão além do cuidado das lesões na pele. Por isso, a legislação prevê atendimento multidisciplinar conforme as necessidades de cada paciente.

