
Engajamento por causa delicada
A analista do Centro de Pesquisas Oncológicas do Cepom, Júlia Bottini Mohr, é vice-presidente da Associação de Pacientes Renais (Apar/SC), que tem 840 pessoas aguardando por transplantes no estado.
O trabalho voluntário é o reconhecimento de uma transplantada renal à necessidade de apoios, em especial de pessoas que têm dificuldades para enfrentar rotinas difíceis, tanto no pré-transplante, como após as cirurgias.
Diagnóstico que ninguém quer
Sua vida mudou a partir de 2011, quando procurou um médico relatando ter dores nos pés. Encomendou palmilhas ortopédicas, trocou os calçados por tênis confortáveis, mas o quadro persistiu.
Exames clínicos apontaram resultados alterados para ureia e creatinina. Com mais testes clínicos e exames de imagens, e o acompanhamento de um nefrologista, enfrentou o diagnóstico de insuficiência renal, que em dois anos a levou a conviver com três sessões semanais de hemodiálise, e a espera por um transplante.
Foto: Bruno Collaço / Agência Alesc
“O diagnóstico é a notícia que ninguém quer. Consegui me manter trabalhando, vida adaptada com o apoio de uma rede familiar, mas saía exausta das sessões de hemodiálise, todas as terças, quintas e sábados”.
Gratidão, sentimento de quem recebe órgão
O tempo médio de espera de um rim é de dois anos e meio. Júlia recebeu a confirmação da doação em um ano, ao final de uma sessão, ainda na clínica. O transplante, em 2013, foi feito no Hospital Celso Ramos, em Florianópolis. “Quando se está na fila, é rezar para que uma família tenha consciência para autorizar a doação de órgãos, para que a vida continue em outra vida”.
“Gratidão” é a palavra que resume o sentimento por ter recepcionado um órgão. “É uma sensação indescritível, e não consigo imaginar como é, para uma família que permitiu doações de órgãos”, diz Júlia, que valoriza o trabalho das equipes que são treinadas para a captação de órgãos.
“Ainda bem que existem pessoas abertas à importância das doações”, diz, lembrando que, num momento crítico, a decisão de doar cabe aos familiares.
O Panorama dos Transplantes
A realidade da fila de espera em SC
Número de pessoas com doenças renais que atualmente aguardam por transplantes no estado.
É o tempo estimado que um paciente renal costuma aguardar até receber um rim compatível.
Tempo que a paciente precisou enfrentar sessões de hemodiálise antes de conseguir a doação.
Design: Milene Conci / Agência ALESC

