Emenda na Alesc impede que antiga rodoviária da capital seja vendida


08/07/2025 - 20h48min

“A história de Florianópolis não pode ser consumida como se fosse um produto qualquer precificado pelo mercado”

“A história de Florianópolis não pode ser consumida como se fosse um produto qualquer precificado pelo mercado”

FOTO: Bruno Collaço / AGÊNCIA AL

O deputado Padre Pedro Baldissera (PT) apresentou nesta terça-feira (8) uma emenda ao projeto enviado à Assembleia Legislativa pelo Executivo estadual que transfere a propriedade do prédio da antiga rodoviária de Florianópolis do estado para o município, vinculando a transação ao instituto da inalienabilidade, que impede a venda, doação ou qualquer transferência da propriedade, visando manter este patrimônio sob o controle da municipalidade, para uso de projetos comunitários.

“Não faz o menor sentido essa possibilidade do estado passar ao município um patrimônio histórico importante para a memória da nossa capital e, logo em seguida, a prefeitura vender esse imóvel para iniciativa privada. Por isso a necessidade de tornar a antiga rodoviária inalienável, para que a história de Florianópolis não seja consumida como se fosse um produto qualquer precificado pelo mercado”, disse Padre Pedro.

A emenda ao projeto 429/2025, que será examinada no próximo dia 15 em reunião conjunta das Comissões de Constituição e Justiça (CCJ), Finanças e Tributação (CFT) e Trabalho, Administração e Serviço Público (Ctasp) da Alesc, impede a venda, a doação ou qualquer transferência da propriedade do bem, visando manter este patrimônio sob o controle da municipalidade para uso de projetos comunitários. O prédio está localizado na esquina das avenidas Mauro Ramos e Hercílio Luz, área nobre no centro da capital.

Inaugurada em 10 de agosto de 1957 pelo prefeito Osmar Cunha, a antiga rodoviária custou na época 40 milhões de cruzeiros, investimento de um consórcio de empresários para exploração por 30 anos, podendo ser prorrogado por mais 30. Na época o consórcio nomeou Nelson Rosa Brasil como diretor da rodoviária. O prédio só deixou de ser rodoviária em 1981, com a inauguração do Terminal Rita Maria, construído no aterro da baía Norte.

Existem em Florianópolis movimentos que reivindicam a recuperação do prédio e sua destinação para um novo uso, que seja público e que preserve esse exemplo de arquitetura moderna da cidade, como o @passeiodabulha. Em 14 de junho esse movimento promoveu um ato com colagem de lambes e roda de conversa sobre as propostas elaboradas para o local. Foram apresentados três projetos arquitetônicos de revitalização do edifício da antiga rodoviária.

O Movimento Traços Urbanos – que reúne 200 pessoas, entre arquitetos e urbanistas, em sua maioria, e também artistas, jornalistas, fotógrafos e diversos outros profissionais e agentes culturais – também defende a “não demolição” e “recuperação e ressignificação para uso público da edificação, de grande valor histórico, cultural e identitário para a região, memória viva da cidade”.

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