
O deputado Fabiano da Luz (PT) cobrou esclarecimentos do governo de Santa Catarina sobre os números divulgados pelo programa de cirurgias, que recebeu muito dinheiro do governo federal, do Ministério da Saúde.
“O governo do Estado tem andado pelas regiões e apresentado a realização de mais de 1,4 milhão de cirurgias. Santa Catarina tem cerca de 8 milhões de habitantes. Significa que de cada 8 cidadãos, um e meio fez cirurgia. Esta conta não fecha, não tem lógica, significa que 15% da população está doente, fazendo cirurgias.”
Segundo ele, há divergências entre os dados apresentados pelo Executivo, os levantamentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SC) e o tamanho atual da fila de espera por procedimentos.
Fabiano destacou que um levantamento do Tribunal de Contas apontou a realização de 485 mil cirurgias entre os anos de 2020 e 2024. Para alcançar o total anunciado pelo governo estadual, segundo o parlamentar, mais de um milhão de procedimentos teriam sido realizados apenas entre 2025 e 2026 e isto daria a soma de mais de 10 anos de cirurgias num ano só.
Segundo o deputado, os números precisam ser melhor explicados à população.
Outro ponto levantado pelo parlamentar é o crescimento da fila de espera. Em 2023 eram 107 mil pessoas aguardando. Atualmente, esse número aumentou para 116 mil pacientes.
“O governo anuncia um super programa, mas a fila continua crescendo. Se foram realizadas tantas cirurgias quanto está sendo divulgado, é preciso explicar por que o número de pessoas esperando aumentou em vez de diminuir”, questionou.
O parlamentar também ressaltou que o programa recebeu recursos de diferentes instituições e esferas de governo, incluindo a Assembleia Legislativa (Alesc), o Tribunal de Contas, o Ministério Público, o governo do Estado e o governo federal.
“A propaganda está bonita, mas a prática não.” Fabiano pediu maior transparência na divulgação dos dados e pediu que a Secretaria de Estado da Saúde apresente informações detalhadas sobre os procedimentos realizados, os investimentos aplicados e os critérios utilizados para a contabilização das cirurgias.
“É importante esclarecer onde estão essas cirurgias realizadas e como os números estão sendo registrados. A propaganda apresenta resultados expressivos, mas os dados da fila de espera indicam uma realidade diferente”, destacou.
Foto: Ana Quinto/Agência Alesc
Juliana Wilke
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